moutinho

no rescaldo das negociações de Estatutos

In Ensino Superior, Política on 25/06/2009 at 12:47

Parece-me que o SNESup se portou à altura da situação num jogo viciado à partida pela atitude do Sr. Ministro, que alia as suas características pessoais a uma certa toada do Governo, em que autoridade é por vezes confundida com autoritarismo.

Mariano Gago poderia ter ficado para a história como um dos Ministros mais bem sucedidos.

Infelizmente para ele existe o ensino superior, com universidades e politécnicos e centros de investigação ligados às primeiras e a estes últimos.

Este comportamento nos Estatutos acabará por ser a sua piéce de resistance e aquilo que melhor o retratará para a memória dos tempos.

Mal, desmesuradamente mal.

  1. Pois, e entretanto há doutorados no desemprego enquanto mestres e licenciados pretendem continuar a leccionar nas universidades e politécnicos meramente por critérios de senioridade. Toda essa gente deve ter de submeter-se a concursos públicos. Por demais tem reinado no acesso à carreira académica a cunha e o nepotismo; está na hora de exigir transparência, rigor e respeito pelas qualificações académicas.

    • É verdade que há Mestres e Licenciados entre esses que foram pau para toda a obra nas Instituições. Curiosamente, a Maioria deles entrou por concursos. Isso diz muito sobre a seriedade dos concursos. Mas não diz tudo.
      Acho curioso que para arranjar emprego aos doutorados, a maioria dos quais que se doutorou ao abrigo de bolsas e sem fazer nada para as instituições, se queira despedir quem fez tudo o que era sua obrigação nas instituições que ajudou a construir.
      Sobre o nepotismo, esse cancro, foi alimentado essencialmente pelos concursos “com fotografia”. Quem tem ou teve poder para admitir os familiares ou os amigos manipulou concursos para os deixar seguros, não os deixou como equiparados ao deus dará.
      A ideia criada pelo Ministro e pela sua propaganda é areia para os olhos, com a intenção de capitalizar a legítima revolta de quem se qualificou mas não encontrou emprego adequado. Mas não esconde a sua responsabilidade em ter mantido artificialmente os quadros exíguos, obrigando a maioria do serviço docente a ser adquirida através da equiparação, contrato precário, e impedindo as instituições de abrir concursos.

  2. Eu não reclamo que se despeçam os actuais professores; quem me dera que pudessem ficar os que estão e entrar mais. Plenamente de acordo portanto que os recursos humanos são exíguos e que os concursos escasseiam; a questão, ou o elefante na sala, é “quem paga?”. Vai aumentar as propinas? Subir os impostos? Baixar os salários? Tirar de outras áreas do OE? De quais? Qual é a sua proposta? Não posso é deixar de considerar que para cada vaga existente um doutorado tem prioridade sobre um mestre, e este sobre um licenciado (salvo situações muito específicas de mérito comprovado fora da carreira académica por ex – para isso há os CVs). Quantos dos que hoje leccionam no ensino superior entraram na carreira por vias travessas, cunhas, e “concursos com foto”? São esse que à partida não merecem os lugares que ocupam. Está mais do que na hora de enfrentarem a concorrência em concursos transparentes e isentos. Não há aqui tempo de serviço ou senioridade que justifique esta situação; a academia não é a aviação civil! Metade do actual pessoal docente do departamento onde me licenciei tem hoje menos currículo do que eu, mas sou eu que estou fora da carreira, a viver de bolsas anuais da FCT. E como eu há vários. Quanto à forma como alguns se doutoraram, i.e. fora das instituições, fizeram-no de acordo com as circunstâncias do momento. Quando me licenciei nem mestrado havia na minha área. Se não “fizemos nada pelas instituições” não terá antes sido por escassez de oportunidades (que foram parar a sabemos nós quem)? Pode crer que a indignação é muita, e justa.