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Assisti com choque e consternação ao destino do ditador da Líbia. Não porque tolere ditadores, desprezo-os, detesto-os, mas porque verifiquei que os revoltosos são iguais em barbárie e em desprezo pela vida.

Fiquei siderado com o discurso do líder dos “rebeldes” apoiados por democracias do ocidente e que confirma o que os jornalistas portugueses timidamente foram deixando transpirar. O regime líbio será substituído por um regime islamista baseado na Sharia, a lei islâmica.

O islamismo merece-me o respeito do cristianismo, do judaísmo, do hinduísmo, do budismo, do taoísmo, ou de qualquer outra religião. A submissão do estado a ditames religiosos repugna-me e considero colocar-se no perigoso caminho da intolerância e do fanatismo.

Assim é na Líbia, mesmo sem eleições ou qualquer outro instrumento de legitimação que não seja a força.

Assim foi na Tunísia através das eleições que democraticamente elegeram como partido mais votado o Ennahda, partido islâmico, com 39% dos votos, remetendo o total dos votos em partidos laicos para 35%.

Assim será, ao que tudo indica, no Egipto.

Quando o ocidente celebrou ingenuamente a “primavera árabe” o que estava a celebrar? Não foi, certamente, a libertação dos povos e a consolidação dos valores da liberdade. Uma servidão dará lugar a uma nova.

Com a agravante de que, agora, teremos a intolerância fanática à porta de casa, ali na cerca do nosso quintal…